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A América do Norte está erguendo plantas de terras raras mais rápido do que forma quem vai operá-las

Agente Editorial Mining Learning 29 de setembro de 2026 6 minutos de leitura
A América do Norte está erguendo plantas de terras raras mais rápido do que forma quem vai operá-las

Os EUA formaram 285 engenheiros de minas e minerais em 2024, menos da metade do que o próprio governo estima precisar. A China já tem graduação dedicada só a terras raras. A resposta americana está saindo agora — e passa pela sala de aula.

Leitura em 30 segundos
  • Em 2024, as universidades americanas concederam 285 diplomas em engenharia de minas e minerais, em todos os níveis — menos da metade dos cerca de 600 por ano implícitos na estimativa de necessidade do Departamento de Energia (DOE).
  • Só 14 universidades dos EUA oferecem engenharia de minas acreditada; Colorado School of Mines (60), Missouri S&T (46) e Arizona (24) respondem por quase metade dos formados.
  • A China criou em 2024 uma graduação específica em Ciência e Engenharia de Materiais de Terras Raras e já tem pelo menos 11 instituições com programas dedicados, mais de 500 ingressantes por ano e mais de 40 laboratórios especializados.
  • O DOE lançou o programa PROSPECT, de US$ 100 milhões, com a meta de dobrar em dois anos o número de formados em áreas ligadas a mineração e minerais críticos.
O que aconteceu

Uma reportagem publicada em 25 de setembro de 2026 pelo MINING.COM e pela The Northern Miner cruzou dois cronogramas que raramente aparecem juntos: o das fábricas de terras raras e ímãs anunciadas nos Estados Unidos e o dos cursos de engenharia que deveriam abastecê-las de gente. A conta não fecha. Em 2024, as universidades americanas entregaram 285 diplomas em engenharia de minas e minerais, somando graduação, mestrado e doutorado. A estimativa de necessidade do Departamento de Energia implica algo em torno de 600 por ano. Apenas 14 universidades mantêm cursos acreditados de engenharia de minas, e três delas — Colorado School of Mines, Missouri S&T e Universidade do Arizona — concentram quase metade dos formados. Desde 1985, doze universidades fecharam seus programas, entre elas Berkeley, Columbia, Ohio State e Texas A&M. Do outro lado, a China incluiu em 2024 uma graduação em Ciência e Engenharia de Materiais de Terras Raras no catálogo nacional de cursos, aprovada primeiro na Universidade de Ciência e Tecnologia da Mongólia Interior, em Baotou, a cerca de 150 km da maior mina de terras raras do mundo. O governo americano começou a reagir: o DOE lançou o PROSPECT, iniciativa de US$ 100 milhões para dobrar em dois anos os formados em áreas ligadas a minerais críticos, e abriu em 14 de setembro um prêmio de US$ 16 milhões para universidades, faculdades comunitárias e escolas técnicas desenharem programas prontos para implantação.

O que aprendemos

A primeira lição é que capacidade industrial não se compra só com capital. Uma planta de separação de terras raras pode ser financiada, licenciada e construída em três ou quatro anos. Um engenheiro de processo capaz de operar um circuito de extração por solvente com dezenas de estágios leva quatro anos de graduação e mais alguns de prática até ficar confiável. Quando os dois relógios começam juntos, o segundo chega atrasado. A demonstração da USA Rare Earth em Wheat Ridge, no Colorado, dá a escala do problema: um único circuito piloto de extração por solvente ocupa 28 engenheiros, cientistas e técnicos em turnos rotativos. Multiplique isso por plantas comerciais e o gargalo aparece. A segunda lição é sobre especialização. A engenharia de minas tradicional forma para lavra, geotecnia e beneficiamento. Separar terras raras é outro ofício: exige química de coordenação, hidrometalurgia fina e controle de processo em cascata. A China entendeu isso e montou uma trilha própria de formação, com disciplinas de química de terras raras, aulas dentro de empresas e laboratórios conectados à indústria. Fora da China, não existe graduação equivalente. O conhecimento que o Ocidente tenta recuperar não está só nas patentes; está nas pessoas que passaram anos ajustando essas plantas. A terceira lição é que política industrial séria começa a incluir educação no mesmo pacote que mina e fábrica. O PROSPECT não financia apenas universidades de elite: o prêmio de US$ 16 milhões aceita propostas voltadas a profissionais em início de carreira, trabalhadores já empregados, professores e até alunos de ensino médio. Cada vencedor pode receber até US$ 1 milhão, e o DOE prevê anunciar até 16 instituições premiadas em 20 de outubro. O desenho reconhece que o déficit não se resolve só com mais diplomas de engenheiro — técnicos de laboratório, operadores de planta e requalificação de quem já trabalha em química ou petróleo contam tanto quanto.

Por que isso importa

O Brasil está no mesmo dilema, em escala menor. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, cria instrumentos para atrair investimento em terras raras e processamento, mas qualquer planta de separação instalada no país vai disputar um grupo pequeno de profissionais com formação em hidrometalurgia e química de processo. Quem estuda engenharia de minas, química ou metalurgia hoje tem diante de si uma janela concreta: a demanda por especialistas em processamento de minerais críticos tende a superar a oferta por vários anos, nos EUA, no Canadá, na Austrália e aqui. Para universidades e empresas, o caso americano mostra que esperar a fábrica ficar pronta para pensar em formação é tarde demais. Programas conjuntos entre indústria e academia, disciplinas optativas em terras raras e estágios em plantas-piloto são respostas que podem começar antes do primeiro investimento sair do papel.

O que aprendemos?

  • Capital constrói uma planta de terras raras em poucos anos; formar quem a opera leva mais tempo — e os dois cronogramas precisam começar juntos.
  • Separar terras raras exige uma especialização em química e hidrometalurgia que a engenharia de minas tradicional não cobre, e que a China já transformou em curso de graduação próprio.
  • Políticas de minerais críticos mais maduras passam a tratar formação técnica, de ensino médio a pós-graduação, como parte da cadeia de suprimento.

Radar de Competências

  • Processamento e separação de terras raras★★★★★
  • Gestão de talentos técnicos na mineração★★★★★
  • Política industrial de minerais críticos★★★★★

Competências Desenvolvidas

  • Hidrometalurgia
  • Planejamento de força de trabalho
  • Minerais críticos
↑

Tendência de alta

com plantas de separação e de ímãs programadas para entrar em operação até o fim da década fora da China, a disputa por profissionais de processamento de minerais críticos deve se intensificar antes que os novos programas de formação comecem a entregar turmas.

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  • Estudantes
  • Engenheiros
  • Gestores
  • Pesquisadores
  • Empresas

Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Engenharia de minas
  • Engenharia química
  • Metalurgia extrativa e hidrometalurgia
Fontes: