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A OCDE mapeou quem controla o lítio e o níquel do mundo — e achou um sistema fragmentado

Agente Editorial Mining Learning 10 de setembro de 2026 6 minutos de leitura
A OCDE mapeou quem controla o lítio e o níquel do mundo — e achou um sistema fragmentado

Um estudo da OCDE sobre rastreabilidade de minerais críticos mostra que mineradoras são quem menos rastreia a própria cadeia, enquanto o processamento chinês do lítio latino-americano segue praticamente invisível nos dados disponíveis.

Leitura em 30 segundos
  • A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou, em setembro de 2026, um estudo sobre rastreabilidade de minerais críticos, com foco em níquel na Indonésia e nas Filipinas e em lítio na Argentina e no Chile.
  • O levantamento encontrou um cenário fragmentado: cada empresa desenvolve seu próprio sistema de rastreio, sem padrão comum entre companhias ou países, e traders rastreiam mais do que mineradoras — justamente o elo onde a cadeia começa.
  • Grande parte do processamento do lítio argentino e chileno passa por empresas chinesas, uma dependência que hoje só aparece de forma indireta, via dados comerciais e mapeamento de fornecedores, porque não existe rastreabilidade completa de ponta a ponta.
  • A OCDE recomenda uma abordagem faseada — aproveitar sistemas já existentes no curto prazo, fechar lacunas de dados no médio prazo e alinhar padrões internacionais no longo prazo, com apoio de fóruns como o G7 e a Agência Internacional de Energia.
O que aconteceu

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico divulgou, em setembro de 2026, um estudo sobre rastreabilidade de minerais críticos — a capacidade de acompanhar de onde vem cada mineral, quem controla os ativos ao longo da cadeia e como o material se move até o produto final. A OCDE escolheu dois recortes para testar a questão em profundidade: a cadeia do níquel na Indonésia e nas Filipinas, e a cadeia do lítio na Argentina e no Chile — quatro países que respondem por parcela relevante da oferta mundial dos dois metais, essenciais para baterias, defesa e a transição energética.

O que aprendemos

O achado central do relatório é o tamanho do vazio que existe hoje entre a promessa de rastreabilidade e a prática real da indústria. Os sistemas de rastreio que existem foram construídos, na maioria dos casos, dentro de empresas individuais, sem um padrão compartilhado entre companhias ou entre países — o que significa que cada elo da cadeia enxerga só o pedaço que lhe interessa, e ninguém, nem os próprios governos, tem uma visão completa de ponta a ponta. Um dado chama atenção dentro dessa fragmentação: traders são quem mais implementa sistemas de rastreabilidade, e mineradoras são quem menos implementa — justamente o elo onde a cadeia começa. A OCDE aponta três motivos recorrentes para essa relutância: custo de implementação, receio de expor dados sensíveis à concorrência e perda de poder de negociação diante de compradores que passariam a enxergar toda a estrutura de custo da operação. No caso do níquel, Indonésia e Filipinas mostram uma cadeia particularmente complexa, com estruturas de propriedade transnacionais que dificultam saber, na prática, quem controla cada ativo — ainda que sistemas como o SIMBARA indonésio, exigências de sourcing responsável da London Metal Exchange e auditorias locais já ofereçam blocos de construção para avançar. No caso do lítio, o achado mais aplicável é sobre Argentina e Chile: parte relevante do processamento do lítio extraído nesses dois países depende de empresas chinesas — uma dependência que hoje só aparece de forma indireta, reconstruída a partir de dados comerciais e mapeamento de fornecedores, porque não existe rastreabilidade completa que mostre isso de forma direta. Ou seja: um dos fatos geopolíticos mais relevantes sobre o lítio latino-americano — quem processa o metal depois que ele sai da salmoura — não está documentado de forma sistemática em lugar nenhum. A OCDE propõe um caminho faseado para fechar essa lacuna: no curto prazo, usar melhor sistemas que já existem, como mapeamento de fornecedores, programas de auditoria e acordos bilaterais de minerais; no médio prazo, fechar lacunas de dados engajando traders, bolsas e fundições, avançando para testes independentes e rastreio de conteúdo reciclado; no longo prazo, cooperação internacional para compartilhar dados de rastreabilidade entre fronteiras e alinhar padrões — com fóruns como o G7 e a Agência Internacional de Energia citados como caminhos institucionais para viabilizar isso.

Por que isso importa

Para profissionais de compliance, ESG e gestão de cadeia de suprimentos, o relatório da OCDE documenta um risco que muitas empresas já sentem na prática mas raramente conseguem quantificar: não saber, com precisão, quem controla cada elo da própria cadeia de fornecimento. Isso deixa de ser um detalhe técnico à medida que compradores — fabricantes de baterias, montadoras, compradores ligados a defesa — passam a exigir rastreabilidade como pré-condição de contrato, não como diferencial competitivo. Para mineradoras especificamente, o relatório é quase um convite direto: são o elo mais atrasado da cadeia em adoção de rastreabilidade, o que as deixa mais expostas a perder acesso a mercados regulados do que traders e processadores que já investiram nesses sistemas. E para quem analisa risco geopolítico de commodities, o ponto sobre lítio latino-americano processado majoritariamente por empresas chinesas — visível só de forma indireta — é um lembrete de que a falta de rastreabilidade não é neutra: ela tende a esconder justamente as dependências mais estratégicas.

O que aprendemos?

  • Rastreabilidade não é sobre onde o minério nasce, é sobre quem controla cada elo entre a mina e o produto final — e hoje ninguém tem essa visão completa, nem mesmo os governos.
  • Mineradoras são o elo da cadeia que menos investe em rastreabilidade, mesmo sendo onde a cadeia começa — por custo, mas também por receio de expor dados sensíveis a concorrentes e compradores.
  • Para o lítio da Argentina e do Chile, a dependência do processamento chinês só é visível de forma indireta, via mapeamento de fornecedores — um ponto cego que qualquer análise de risco geopolítico da cadeia de lítio precisa considerar.

Radar de Competências

  • Rastreabilidade de minerais críticos
  • Governança e compliance
  • Leitura de relatórios institucionais

Competências Desenvolvidas

  • Governança de cadeia de suprimentos
  • Rastreabilidade mineral
  • Compliance ESG

Tendência de alta

a pressão regulatória de compradores de baterias e defesa, somada a blocos como o G7, deve elevar a rastreabilidade de exceção para pré-requisito de acesso a mercado nos próximos anos.

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Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Gestão da cadeia de suprimentos
  • Política ambiental e regulatória
  • Economia mineral
Fontes: