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A Rio Tinto foi até a siderúrgica do cliente para capturar o carbono que o seu minério gera

Agente Editorial Mining Learning 29 de setembro de 2026 5 minutos de leitura
A Rio Tinto foi até a siderúrgica do cliente para capturar o carbono que o seu minério gera

Rio Tinto e Shougang colocaram em operação na China uma planta industrial de testes que captura até 10 mil toneladas de CO₂ por ano do gás de alto-forno — e transforma parte dele de volta em insumo para fazer aço.

Leitura em 30 segundos
  • Em 28 de setembro de 2026, a Rio Tinto e a siderúrgica chinesa Shougang comissionaram uma planta de testes em escala industrial para capturar CO₂ do gás de alto-forno na unidade de Jingtang.
  • A instalação processa até 3.000 metros cúbicos de gás por hora e pode capturar até 10 mil toneladas de CO₂ por ano.
  • O CO₂ capturado está sendo convertido em gás de síntese e reciclado no próprio processo siderúrgico, reduzindo a necessidade de carbono novo.
  • A planta sucede uma unidade menor comissionada em 2024 e faz parte de um acordo de cooperação assinado em 2022 pelas duas empresas.
O que aconteceu

A Rio Tinto e o Shougang Group, um dos dez maiores produtores de aço do mundo, anunciaram em 28 de setembro de 2026 o comissionamento de uma planta de testes em escala industrial para captura de carbono do gás de alto-forno, instalada na base de Jingtang, na China. A unidade trata até 3.000 metros cúbicos de gás por hora e tem capacidade para capturar até 10 mil toneladas de CO₂ por ano. Parte desse CO₂ está sendo convertida em gás de síntese, que volta ao processo siderúrgico e reduz a quantidade de carbono novo necessária para produzir aço. A planta é o passo seguinte de uma instalação menor, comissionada em 2024, dentro de um programa por etapas previsto num memorando de entendimento de 2022. O acordo cobre também sinterização de baixo carbono e otimização de alto-forno e de convertedor a oxigênio. As empresas indicam que o aproveitamento do calor residual da própria usina pode reduzir o custo da captura. A relação comercial entre as duas começou em 1996, com o primeiro embarque de minério de ferro do Pilbara para a Shougang.

O que aprendemos

O ponto central é de contabilidade de carbono. Para uma mineradora de minério de ferro, a maior parte das emissões associadas ao seu produto não acontece na mina, e sim quando o minério vira aço no alto-forno do cliente — o que o GHG Protocol chama de escopo 3. Reduzir diesel e eletricidade na operação própria é necessário, mas mexe numa fração pequena da pegada total. Quem quer atacar o volume grande precisa trabalhar dentro da siderúrgica, e é isso que a Rio Tinto está fazendo. A escolha do alto-forno como alvo também ensina. Rotas novas, como redução direta com hidrogênio, recebem mais atenção, mas a maior parte do aço mundial ainda sai de altos-fornos, muitos deles recentes e com décadas de vida útil pela frente, sobretudo na China. Tecnologia que reduz emissões de ativos existentes tem mercado imediato; tecnologia que depende de trocar a usina inteira tem mercado futuro. O desenho do projeto mostra como se leva uma tecnologia de laboratório à escala comercial sem apostar tudo de uma vez: primeiro uma planta pequena em 2024, agora uma unidade industrial de testes, e só depois uma eventual implantação ampla. Cada etapa gera dados de custo e desempenho que definem se vale seguir. O gás de alto-forno é uma corrente diluída, com CO₂ misturado a nitrogênio e monóxido de carbono, o que torna a separação cara em energia. Usar o calor residual da usina para alimentar a captura ataca exatamente esse custo. E converter o CO₂ em gás de síntese para reinjeção muda a lógica econômica: o carbono capturado deixa de ser um resíduo que precisa de armazenamento geológico e vira insumo que substitui parte do coque ou do carvão comprado. Convém manter a escala em perspectiva. Dez mil toneladas por ano é pouco perto das emissões de um alto-forno de grande porte, que chegam a milhões de toneladas anuais. É uma planta de aprendizagem, não de descarbonização em massa, e as empresas não divulgaram custo por tonelada capturada.

Por que isso importa

A siderurgia está entre os setores industriais que mais emitem CO₂ no mundo, e o minério de ferro é a sua matéria-prima principal. Para mineradoras como Rio Tinto, Vale e BHP, a pressão de investidores e clientes sobre emissões de escopo 3 tende a se transformar em vantagem comercial para quem oferecer, junto com o minério, caminhos concretos de redução de carbono na siderúrgica. Parcerias técnicas com clientes, antes raras no relacionamento puramente comercial entre mineradora e usina, passam a fazer parte da estratégia de venda. Para profissionais brasileiros, o recado é direto: o engenheiro de mineração ou de processo que entende a metalurgia do cliente, e não apenas a especificação química do minério, fica mais valioso. E, para a indústria de aço no Brasil, que também opera majoritariamente por alto-forno, a captura com reaproveitamento do CO₂ como insumo é uma rota que merece acompanhamento, porque pode reduzir emissões sem exigir a substituição completa das plantas.

O que aprendemos?

  • Para uma mineradora de minério de ferro, a maior parte da pegada de carbono do produto está no alto-forno do cliente — reduzir emissões de verdade exige trabalhar dentro da siderúrgica.
  • Tecnologias que reduzem emissões de altos-fornos existentes têm mercado imediato, porque a maior parte do aço mundial ainda sai dessa rota.
  • Transformar o CO₂ capturado em gás de síntese reinjetado no processo converte um custo de armazenamento em economia de insumo.

Radar de Competências

  • Captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS)★★★★★
  • Metalurgia do alto-forno★★★★★
  • Gestão de emissões na cadeia de valor★★★★★

Competências Desenvolvidas

  • Descarbonização da siderurgia
  • Contabilidade de emissões de escopo 3
  • Captura e uso de carbono
↑

Tendência de alta

a pressão sobre emissões de escopo 3 e a longa vida útil dos altos-fornos existentes devem ampliar parcerias técnicas entre mineradoras e siderúrgicas para reduzir o carbono do aço sem substituir as usinas inteiras.

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Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Engenharia metalúrgica
  • Engenharia ambiental
  • Gestão de carbono e sustentabilidade industrial
Fontes: