Mining Learning
PT·EN·ES
TecnologiaIntermediário

Na maior mina de tungstênio do Reino Unido, uma IA decide partícula por partícula o que vale a pena processar

Agente Editorial Mining Learning 24 de setembro de 2026 5 minutos de leitura
Na maior mina de tungstênio do Reino Unido, uma IA decide partícula por partícula o que vale a pena processar

A Tungsten West instalou seis sorters de raio-X com inteligência artificial na mina de Hemerdon para rejeitar 70% do minério bruto antes da etapa de processamento — reduzindo custo, energia e o tamanho da planta necessária.

Leitura em 30 segundos
  • A Tungsten West está retomando a operação da mina de Hemerdon, na Inglaterra, com seis sorters de raio-X (XRT) da TOMRA Mining equipados com a tecnologia de deep learning OBTAIN.
  • O sistema separa o material entre 10mm e 80mm em três faixas de tamanho, processadas por máquinas diferentes, e usa redes neurais para identificar partículas individuais mesmo quando aparecem agrupadas em blocos.
  • Cerca de 30% do material segue para o concentrador de tungstênio e estanho; os outros 70% são rejeitados como agregado premium para construção civil, com pegada de carbono adicional próxima de zero.
  • A ramp-up para produção em escala plena está prevista para o primeiro trimestre de 2027, num momento em que a China controla cerca de 80% da produção mundial de tungstênio.
O que aconteceu

A Tungsten West retomou, em setembro de 2026, a operação da mina de tungstênio de Hemerdon, no condado inglês de Devon, com uma planta de processamento redesenhada em torno de seis sorters de raio-X (XRT) fabricados pela TOMRA Mining. Todos os seis equipamentos usam a tecnologia de deep learning batizada de OBTAIN, que a TOMRA desenvolveu para identificar propriedades de partículas individuais em alta velocidade. O material que sai da britagem, entre 10mm e 80mm, é dividido em três faixas: o que fica abaixo de 10mm segue para circuitos de jigagem por pressão; a faixa de 10mm a 30mm passa por três máquinas COM Tertiary XRT; e a faixa de 30mm a 80mm passa por três unidades COM XRT 2.0. O resultado da triagem é que aproximadamente 30% do material — a fração mineralizada — segue para o concentrador, onde tungstênio e estanho são recuperados, enquanto os outros 70% são rejeitados como um agregado de construção civil de qualidade premium, com pegada de carbono adicional próxima de zero. A empresa projeta rampa de produção em escala plena para o primeiro trimestre de 2027.

O que aprendemos

Sorters de raio-X não são novidade em mineração — a tecnologia usa a transmissão de raios X através da rocha para diferenciar composição atômica e densidade, separando minério de estéril antes mesmo de qualquer processamento químico ou físico mais caro. O problema histórico desse tipo de sensor é que ele enxerga o material em alta velocidade numa esteira, e partículas que colam umas nas outras — aglomerados de rocha pequena grudados em fragmentos maiores — costumam ser lidos como um único objeto, o que leva o sistema a aceitar ou rejeitar o bloco inteiro com base numa leitura imprecisa. É exatamente esse ponto cego que o OBTAIN ataca: a rede neural decompõe algoritmicamente cada aglomerado detectado pelo sensor em partículas individuais, permitindo que o sorter tome uma decisão de aceitar ou rejeitar por partícula, não por bloco. Na prática, segundo a TOMRA, isso permite alimentar cada sorter com cerca de 80% mais material mantendo a mesma qualidade e a mesma taxa de recuperação — um ganho de capacidade que normalmente exigiria comprar mais equipamento, não apenas software mais inteligente rodando no que já existe. O efeito econômico de rejeitar 70% da massa do minério bruto antes da etapa de concentração é maior do que parece à primeira vista: cada tonelada que não passa pelo concentrador é uma tonelada a menos consumindo água, energia e reagente na etapa mais cara do processamento. E o material rejeitado não vira rejeito descartado — ele é vendido como agregado de construção, o que transforma um custo de disposição em receita adicional.

Por que isso importa

Hemerdon já tentou operar antes e não sobreviveu economicamente da primeira vez, o que torna a engenharia de processo, não a geologia, o fator decisivo desta segunda tentativa. Triagem por sensor antes da etapa química ou física mais cara é uma das poucas tecnologias de mineração que reduz simultaneamente custo de capital, consumo de energia e volume de rejeito — e é isso que pode fazer a diferença entre um depósito marginal ficar economicamente inviável ou virar produção comercial. O momento também não é neutro: tungstênio está na lista de minerais críticos do Reino Unido, a China controla cerca de 80% da produção mundial, e restrições chinesas à exportação têm reorganizado a cadeia de suprimento global — com demanda projetada para crescer de 2% a 5% ao ano até 2033. Hemerdon, operando em escala plena, teria capacidade de suprir cerca de 4,1% da produção mundial de tungstênio, uma fatia pequena em termos absolutos, mas relevante como fonte não chinesa de um mineral que hoje tem poucas alternativas de fornecimento fora da China.

O que aprendemos?

  • Sorters de raio-X com deep learning resolvem um ponto cego físico dos sensores tradicionais: a incapacidade de diferenciar partículas agrupadas de um único bloco de rocha.
  • Rejeitar minério antes da etapa de processamento químico ou físico mais cara reduz custo, energia e volume de rejeito ao mesmo tempo — e pode viabilizar depósitos que não seriam econômicos sem essa triagem prévia.
  • Transformar material rejeitado em agregado de construção civil converte um custo de disposição de rejeito em receita adicional.

Radar de Competências

  • Ore sorting e triagem por sensor★★★★★
  • Deep learning aplicado a processamento mineral★★★★★
  • Economia de projetos de minerais críticos★★★★★

Competências Desenvolvidas

  • Triagem por sensor (ore sorting)
  • Processamento mineral
  • Minerais críticos
↑

Tendência de alta

a combinação de restrição de oferta chinesa de tungstênio com tecnologia de triagem cada vez mais precisa deve tornar depósitos antes marginais, como Hemerdon, economicamente viáveis com mais frequência.

Para quem esse conteúdo é útil?

  • Engenheiros
  • Técnicos
  • Gestores
  • Empresas

Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Engenharia de minas
  • Processamento mineral
  • Inteligência artificial aplicada à indústria
Fontes: