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A bancada de desmonte era uma das últimas etapas manuais da mina a céu aberto. A Dyno Nobel quer tirá-la das mãos humanas

Agente Editorial Mining Learning 6 de outubro de 2026 5 minutos de leitura
A bancada de desmonte era uma das últimas etapas manuais da mina a céu aberto. A Dyno Nobel quer tirá-la das mãos humanas

Depois de cinco anos de desenvolvimento, a Dyno Nobel apresentou um sistema que mede, escorva, carrega, tampona e registra cada furo de desmonte de forma autônoma, comandado de uma sala de controle longe da bancada. O protótipo vai a teste numa mina de cobre em Utah.

Leitura em 30 segundos
  • A Dyno Nobel, uma das maiores fabricantes de explosivos do mundo, apresentou no início de outubro de 2026 um sistema autônomo de ponta a ponta para inspeção e carregamento de furos na bancada de desmonte.
  • O sistema mede a profundidade do furo, coloca o iniciador, carrega o explosivo a granel, faz o tamponamento e registra os dados de cada furo, tudo coordenado a partir de uma sala de controle.
  • O protótipo será testado na Copper One, mina e refinaria de cobre da Mariana Minerals em Utah, projetada desde o início para operar com autonomia; a implantação em etapas vai até meados de 2027.
  • O ganho não é só de segurança: cada furo passa a gerar dados, e é isso que permite ligar o desmonte ao resto da cadeia mina-usina.
O que aconteceu

A Dyno Nobel anunciou, entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026, um protótipo totalmente operacional de sistema autônomo para a bancada de perfuração e desmonte. Segundo a empresa, foram cinco anos de pesquisa e desenvolvimento. O sistema executa, sem operador na área, as tarefas que hoje uma equipe faz manualmente em cima da bancada: medir cada furo, escorvar — isto é, instalar o iniciador e o reforçador —, carregar o explosivo a granel, tamponar e registrar o resultado. Todos os componentes têm sensores, e o conjunto foi desenhado para conversar com os sistemas da mina e com outras soluções autônomas já em operação. O primeiro teste será na Copper One, operação de cobre com refinaria da Mariana Minerals no sudeste de Utah, nos Estados Unidos, que se apresenta como uma mina pensada para autonomia desde a origem. A Mariana vai integrar seu sistema operacional ao da Dyno Nobel. O cronograma prevê uma implantação em etapas até meados de 2027, começando pelos EUA e seguindo depois para outros países. O diretor de tecnologia da Dyno Nobel, Dirk Van Soelen, afirma que a empresa construiu um processo completo, capaz de aplicar iniciadores e explosivo a granel numa bancada em escala.

O que aprendemos

A automação chegou primeiro onde o trabalho é repetitivo e o ambiente é previsível: caminhões em rotas definidas, perfuratrizes seguindo um plano de fogo digital, britadores com controle avançado. A bancada carregada de explosivo ficou para trás por um motivo prático. Cada furo é um pouco diferente do projetado — pode ter desmoronado em parte, ter água no fundo, ter sido perfurado mais curto. Hoje, quem resolve isso é o blaster, que mede o furo com uma trena, decide quanto explosivo colocar e ajusta o tampão. É um trabalho de julgamento, feito a pé, no lugar mais perigoso da mina. O que a Dyno Nobel diz ter resolvido é justamente a parte do julgamento: o sistema mede antes de carregar, e só então decide a carga. A palavra que mais importa no anúncio é "registrar". Num desmonte manual, a informação sobre o que de fato foi colocado em cada furo raramente sai da cabeça da equipe ou de uma planilha. Num desmonte autônomo, cada furo vira um registro com profundidade real, massa de explosivo e posição do iniciador. Isso muda a engenharia do desmonte de três formas. Primeiro, permite comparar o projetado com o executado, furo a furo, e explicar por que um fogo gerou blocos grandes ou sobrequebra no talude. Segundo, cria a base para o chamado mine-to-mill: a fragmentação do desmonte afeta a produtividade da escavadeira, o consumo de energia do britador e do moinho, e sem dados confiáveis do carregamento essa otimização fica no palpite. Terceiro, abre espaço para lavrar áreas que hoje ficam paradas por risco — bancadas instáveis, regiões com antigas galerias subterrâneas — porque ninguém precisa pisar ali. O próprio parceiro de teste resume a lógica: numa mina projetada para ser autônoma de ponta a ponta, o desmonte é o primeiro elo, e se ele continuar manual, toda a cadeia depois dele herda a variabilidade. Uma ressalva honesta: trata-se de um protótipo, que ainda vai enfrentar poeira, chuva, furos irregulares e a rotina de uma mina em produção. A prova real será o teste em Utah.

Por que isso importa

O desmonte responde por uma parcela pequena do custo total da mina, mas influencia quase tudo o que vem depois — da carga da escavadeira à energia gasta na moagem, que é uma das maiores contas de uma usina de cobre ou ouro. Tirar pessoas da bancada carregada reduz a exposição a um dos riscos mais críticos da operação. E transformar cada furo em dado é o que permite que geotecnia, perfuração, desmonte e beneficiamento trabalhem com a mesma informação. Para engenheiros de minas e técnicos de desmonte, a mensagem é clara: a função não desaparece, mas se desloca da bancada para a sala de controle, e passa a exigir leitura de dados, programação de planos de fogo e integração com outros sistemas autônomos.

O que aprendemos?

  • A bancada de desmonte demorou a ser automatizada porque cada furo real difere do projetado — o sistema precisa medir antes de decidir a carga.
  • O maior ganho da autonomia no desmonte é o registro furo a furo, que torna possível comparar projetado com executado e otimizar a fragmentação para a usina.
  • Retirar pessoas da bancada carregada pode liberar para lavra áreas hoje paradas por instabilidade ou vazios subterrâneos.

Radar de Competências

  • Projeto e execução de plano de fogo★★★★★
  • Operação remota e sistemas autônomos★★★★★
  • Otimização mine-to-mill★★★★★
  • Gestão de riscos críticos em desmonte★★★★★

Competências Desenvolvidas

  • Engenharia de desmonte
  • Automação de mina
  • Integração mina-usina
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Tendência de alta

com caminhões, perfuratrizes e usinas já automatizados em várias operações, o desmonte é um dos últimos elos manuais da cadeia, e a busca por dados contínuos de fragmentação deve acelerar a adoção depois dos primeiros testes.

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Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Engenharia de minas — perfuração e desmonte
  • Automação e controle de processos
  • Tratamento de minérios — cominuição
  • Segurança operacional em mineração
Fontes: