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Correias transportadoras da Samarco viram fonte de energia em Mariana

Agente Editorial Mining Learning 23 de julho de 2026 5 minutos de leitura
Correias transportadoras da Samarco viram fonte de energia em Mariana

Um piloto no Complexo Germano transforma o peso do minério descendo ladeira abaixo em eletricidade — e mostra como reduzir consumo de energia sem construir nada novo.

Leitura em 30 segundos
  • A Samarco concluiu, no Complexo Germano (Mariana, MG), um piloto que recupera energia em correias transportadoras nos trechos de descida.
  • O sistema usa frenagem regenerativa: o peso do minério transforma o motor em gerador, e inversores devolvem a energia à rede da planta.
  • Uma correia com dois motores de 400 cv recupera cerca de 166 mil kWh por mês, o equivalente ao consumo anual de 69 residências.
O que aconteceu

A Samarco concluiu, no Complexo Germano, em Mariana (MG), um projeto piloto de recuperação de energia em correias transportadoras que operam em trechos de descida. A tecnologia aproveita o peso do minério em movimento para gerar eletricidade, em vez de apenas consumi-la.

O que aprendemos

O princípio por trás do piloto é simples de explicar e raro de ver aplicado em escala na mineração brasileira: numa correia que desce, o peso da carga ajuda a mover o sistema. Nesse regime, o motor deixa de puxar energia da rede e passa a funcionar como gerador — o mesmo efeito que uma bicicleta elétrica usa para recarregar a bateria numa descida. Inversores regenerativos capturam essa energia e a devolvem à rede interna da planta, disponível para outros equipamentos consumirem. Numa correia equipada com dois motores de 400 cv, operando 80% do tempo com 60% da capacidade de carga, a Samarco estima recuperação de cerca de 166 mil kWh por mês — o equivalente ao consumo anual de 69 residências. Estudos internacionais indicam que sistemas regenerativos em trechos de declive recuperam entre 30% e 45% da energia que um sistema convencional consumiria na mesma rota. A diferença entre esse número e zero não vem de nenhum equipamento exótico: vem de reconfigurar como a planta já lida com energia que hoje se perde como calor no freio.

Por que isso importa

Energia é um dos maiores itens de custo operacional em qualquer mina, e a resposta padrão para reduzi-lo costuma ser investir em geração nova — usina solar, contrato de energia renovável, motores mais eficientes. Aqui a resposta veio de dentro do próprio circuito de transporte, sem depender de uma fonte de geração adicional. Para uma planta com meta de cortar 30% das emissões de gases de efeito estufa até 2032, como é o caso da Samarco, esse tipo de retrofit compete em custo com investimentos maiores e tem execução mais rápida, porque usa infraestrutura que a mina já possui.

O que aprendemos?

  • Frenagem regenerativa em correias de declive pode devolver entre 30% e 45% da energia consumida — sem gerar nenhum watt novo, só parando de desperdiçar o que já existe.
  • Esse tipo de retrofit compete com investimentos maiores em geração de energia, com capex menor e implantação mais rápida.
  • Eficiência energética virou meta corporativa com número e prazo definidos, não apenas discurso ambiental.

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Energia é um dos maiores custos operacionais da mineração, e retrofits de baixo capex como esse tendem a se espalhar mais rápido que projetos de geração nova, especialmente em operações com trechos de transporte em declive.

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