Uma mina de zinco no Arizona virou a prova de conceito de um novo atalho de licenciamento nos EUA
O Serviço Florestal dos EUA aprovou o plano da mina Hermosa, do South32 — um dos maiores depósitos não desenvolvidos de zinco do mundo — usando o programa federal FAST-41, criado para coordenar e acelerar o licenciamento de projetos de infraestrutura crítica.
- O Serviço Florestal dos EUA aprovou, em 2 de setembro de 2026, o plano de mina do projeto Hermosa, do South32, no Arizona — um depósito de zinco, manganês, chumbo e prata avaliado em mais de US$ 3 bilhões.
- Hermosa foi o primeiro projeto de mineração incluído no programa federal FAST-41, criado em 2023 para coordenar entre agências o licenciamento de projetos de infraestrutura considerados estratégicos para o país.
- A aprovação saiu cerca de dois meses antes do prazo legal e cobriu obras em terra pública: linha de transmissão de alta tensão, uma segunda via de acesso, barragem de rejeitos e pontos de descarte de água.
- Produção subterrânea de zinco é esperada para 2027, com a planta de processamento entrando em operação no início de 2028 — enquanto metade da construção em terreno privado já estava concluída antes mesmo dessa aprovação federal.
O Serviço Florestal dos Estados Unidos aprovou, em 2 de setembro de 2026, o plano de mina do projeto Hermosa, do South32, nas montanhas Patagonia, no sul do Arizona. Hermosa abriga um dos maiores depósitos não desenvolvidos de zinco do mundo, além de um depósito de manganês de grau para baterias e a descoberta emergente de cobre em Peak — os cinco minerais do projeto (zinco, manganês, prata, chumbo e cobre) estão na lista federal de minerais críticos dos Estados Unidos. A aprovação cobriu a infraestrutura que cruza terra pública administrada pelo governo federal: uma linha de transmissão de alta tensão, uma segunda via de acesso, uma barragem de armazenamento de rejeitos e pontos de descarte de água — e saiu cerca de dois meses antes do prazo previsto pela legislação ambiental federal, sob um processo de revisão acelerada.
O detalhe que faz de Hermosa um caso de estudo não é geológico, é regulatório: o projeto foi o primeiro empreendimento de mineração incluído no FAST-41, um programa federal criado em 2023 para coordenar o licenciamento de projetos de infraestrutura considerados estratégicos entre as várias agências que precisam opinar sobre eles. É importante entender o que o FAST-41 não faz: ele não elimina nenhuma etapa da revisão ambiental exigida por lei, nem dispensa estudos de impacto. O que ele faz é criar um cronograma público, coordenado e com prazos definidos entre as agências federais envolvidas — reduzindo a incerteza sobre quando a decisão sai, não sobre se ela sai. Essa diferença importa porque incerteza de prazo é, ela mesma, um custo: projetos que não sabem quando vão ser aprovados carregam um prêmio de risco maior no custo de capital, o que encarece o financiamento mesmo antes da primeira pá de terra. A South32 também usou uma estratégia de faseamento para reduzir sua exposição a esse risco: a metade da construção que ocorre em terreno privado já estava concluída antes mesmo da aprovação federal da parte que cruza terra pública, permitindo à empresa avançar o cronograma sem depender inteiramente do desfecho regulatório mais incerto.
Hermosa se torna a referência prática de que licenciamento coordenado — sem cortar etapas de revisão ambiental — pode encurtar significativamente o tempo entre a descoberta de um depósito crítico e sua entrada em produção, num momento em que os Estados Unidos tentam reduzir a dependência de cadeias de suprimento controladas pela China para minerais de bateria e eletrônicos de transição energética. Para quem avalia risco regulatório em projetos de mineração, o caso mostra que a variável que mais afeta o custo de capital nem sempre é a incerteza sobre se um licenciamento vai ser aprovado, mas sobre quando — e que mecanismos de coordenação com prazo público, como o FAST-41, são uma ferramenta de política pública replicável para outros países que competem pelo mesmo capital de investimento em minerais críticos.
O que aprendemos?
- O FAST-41 não elimina etapas do licenciamento ambiental americano — ele cria um cronograma público e coordenado entre agências federais, reduzindo a incerteza sobre quando a decisão sai, não sobre se ela sai.
- A Hermosa já tinha metade da construção em terreno privado concluída antes mesmo da aprovação federal da parte em terra pública — uma forma de faseamento que reduz exposição ao risco regulatório.
- Um cronograma de licenciamento previsível reduz o prêmio de risco embutido no custo de capital de projetos de minerais críticos, tornando-os mais fáceis de financiar.
Radar de Competências
- Licenciamento e compliance★★★★★
- Gestão de risco de projetos★★★★★
- Política de minerais críticos★★★★★
Competências Desenvolvidas
- Licenciamento ambiental de mineração
- Gestão de risco regulatório
- Minerais críticos
Tendência de alta
Com a disputa geopolítica por minerais críticos, mais países devem criar mecanismos de licenciamento coordenado e com prazo definido para atrair investimento em mineração doméstica sem abrir mão da revisão ambiental.
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Para aprofundar este tema
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