A Vale tem 45 soluções de IA em produção — e um plano para que 10% do minério venha do que hoje é descarte
O primeiro relatório de PD&I da mineradora revela a escala real do seu investimento em inovação: mais de 350 projetos ativos e US$ 685 milhões aplicados em um único ano.
- A Vale investiu US$ 685 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação em 2025, mantendo um portfólio de mais de 350 projetos ativos.
- A empresa já opera mais de 45 soluções de inteligência artificial ao longo da cadeia, de otimização de pelotização a simulação de emissões.
- Em 2025, 26,3 milhões de toneladas do que a Vale produziu vieram de fontes circulares — material que antes seria descarte — e a meta é chegar a 10% da produção total até 2030.
A Vale publicou seu primeiro relatório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), consolidando pela primeira vez em um único documento o tamanho real do seu investimento em tecnologia: US$ 685 milhões aplicados em 2025, um portfólio de mais de 350 projetos ativos e 16 hubs de inovação espalhados pela operação.
O número mais revelador não é o investimento total, mas a quantidade de soluções de IA já em produção — mais de 45, cobrindo desde o SabIA, que recupera informação técnica interna, até o VESO, um simulador que cruza dados de produção, custo e emissão em tempo real. Isso mostra que a empresa passou da fase de piloto isolado para a de portfólio gerenciado, com uma solução de IA plugada em quase todo elo da cadeia. O segundo dado que chama atenção é o de mineração circular: 26,3 milhões de toneladas produzidas em 2025 vieram de fontes que antes eram tratadas como rejeito ou estéril — 8% da produção total, com meta de chegar a 10% até 2030 por meio de mais de 100 iniciativas. A mina de Capanema, em Ouro Preto, já reúne as três frentes ao mesmo tempo: operação 100% autônoma, processamento sem água e sem barragem de rejeito.
Para quem trabalha com inovação dentro de uma mineradora, o relatório é um contraponto útil ao discurso de que tecnologia na mineração ainda é promessa. Vale já transformou cerca de 300 funções de operação para conviver com equipamentos autônomos e comprometeu R$ 38,4 milhões em bolsas de pesquisa vinculadas a universidades — sinal de que o investimento em inovação está deixando de ser um centro de custo isolado de P&D e virando parte estrutural de como a empresa opera e recruta competência técnica.
O que aprendemos?
- Mineração circular deixou de ser iniciativa pontual e virou meta corporativa mensurável: 8% da produção da Vale já vem de fontes circulares, com meta de 10% até 2030.
- IA em mineração está saindo da fase de piloto isolado para portfólio gerenciado, com dezenas de soluções operando simultaneamente ao longo da cadeia.
- Investimento em automação exige investimento equivalente em requalificação de mão de obra — quase 300 funções já foram transformadas na operação da empresa.
Radar de Competências
- Pesquisa e Inovação★★★★★
- IA★★★★★
- ESG★★★★★
Competências Desenvolvidas
- Pesquisa e Inovação
- IA
- ESG
Tendência de alta
Metas de mineração circular e portfólios de IA aplicada estão virando padrão de reporte entre grandes mineradoras — outras empresas do setor devem seguir o mesmo formato de transparência nos próximos relatórios anuais.
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