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Quatro Primeiras Nações do Canadá vão vender energia solar para a mina de ouro vizinha — como donas da usina

Agente Editorial Mining Learning 8 de outubro de 2026 4 minutos de leitura
Quatro Primeiras Nações do Canadá vão vender energia solar para a mina de ouro vizinha — como donas da usina

Uma usina solar de 8,5 MW, 100% indígena, deve abastecer a mina de Greenstone, em Ontário. O projeto é pequeno no tamanho e grande no que ensina: comunidades deixando de ser só beneficiárias da mina para virar fornecedoras dela.

Leitura em 30 segundos
  • Quatro Primeiras Nações de Ontário, no Canadá, são donas em partes iguais de uma usina solar de 8,5 MW planejada para abastecer a mina de ouro de Greenstone, da Equinox Gold.
  • O projeto prevê até 14 mil painéis em 12 hectares, construção a partir de 2027 se aprovado e redução estimada de 4.900 toneladas de CO2 por ano.
  • As mesmas comunidades já têm acordos de longo prazo com a mina que incluem participação financeira, emprego e contratação de negócios locais.
  • A lição é sobre modelo de relacionamento: a comunidade passa de receber compensação para ser fornecedora com receita própria e de longo prazo.
O que aconteceu

Quatro Primeiras Nações do norte de Ontário — Animbiigoo Zaagi'igan Anishinaabek, Aroland, Ginoogaming e Long Lake #58 — estão desenvolvendo a Greenstone Solar Farm, uma usina fotovoltaica perto de Geraldton. O projeto pertence integralmente às comunidades, em partes iguais, por meio da Kenogamisis Energy. A capacidade prevista é de 8,5 MW em corrente contínua (6,3 MW em corrente alternada), com até 14 mil painéis distribuídos em 12 hectares, e a eletricidade será fornecida diretamente à mina de ouro de Greenstone, da canadense Equinox Gold. O processo de licença de energia renovável costuma levar de 12 a 16 meses, e em outubro de 2026 estava na metade. Se aprovado, a construção começa em 2027, com 30 a 32 postos de trabalho em tempo integral na obra e cerca de dois na operação. A redução estimada de emissões é de 4.900 toneladas de CO2 por ano. Horis Mansuri, diretor-executivo da Kenogamisis Energy, classificou o projeto como uma virada para o desenvolvimento econômico das comunidades. A mina de Greenstone, a céu aberto, atingiu produção comercial em novembro de 2024, tem planta de processamento de 27 mil toneladas por dia e projeção de 250 mil a 275 mil onças de ouro por ano. A Equinox mantém acordos de relacionamento de longo prazo com essas Primeiras Nações, que cobrem gestão ambiental, conhecimento tradicional, emprego e treinamento, contratação de negócios e participação financeira.

O que aprendemos

Durante muito tempo, a relação entre mina e comunidade vizinha foi pensada em termos de compensação: a empresa extrai, a comunidade recebe royalties, empregos ou obras sociais. Funciona, mas cria uma dependência de mão única — e que costuma acabar junto com a vida útil da mina. O caso de Greenstone mostra outro desenho. As comunidades não estão pedindo uma fatia do ouro. Estão construindo um ativo próprio, uma usina, e vendendo um insumo de que a mina precisa todos os dias. A relação passa a ser comercial, entre fornecedor e cliente, com contrato, receita e responsabilidade dos dois lados. Há três ganhos nesse formato. O primeiro é a receita recorrente, que não depende de doação nem de renegociação política a cada ciclo. O segundo é a capacitação: planejar, licenciar, financiar e operar uma usina forma gestores e técnicos locais em competências que servem para outros projetos. O terceiro é a durabilidade. Uma usina solar tem vida útil longa e pode, no futuro, vender energia para outros clientes — o ativo sobrevive ao fechamento da mina. Para a mineradora, a vantagem também é concreta. Ela descarboniza parte do consumo elétrico sem imobilizar capital próprio na geração e fortalece a licença social com um parceiro que tem interesse direto em que a operação continue rodando. O porte da usina é modesto diante de uma planta que processa 27 mil toneladas por dia, e isso faz parte da lição: o modelo não precisa começar grande. Começa com um projeto que as comunidades conseguem dominar, licenciar e operar, e que pode crescer depois. Para quem trabalha com relações comunitárias ou suprimentos numa mineradora, a pergunta que fica é prática: quais insumos da operação — energia, transporte, alimentação, manutenção — poderiam ser fornecidos por empresas da própria comunidade, com contrato de longo prazo?

Por que isso importa

No Canadá, na Austrália e cada vez mais na América Latina, a participação acionária indígena em infraestrutura ligada à mineração deixou de ser exceção. No Brasil, onde a relação entre mineração e comunidades tradicionais é um dos temas mais sensíveis do setor, modelos que transformam vizinhos em sócios ou fornecedores oferecem um repertório diferente da compensação pura. Para profissionais de ESG, relações comunitárias e suprimentos, saber estruturar esse tipo de parceria — contrato de energia, financiamento, capacitação local — é uma competência em alta.

O que aprendemos?

  • Comunidades podem passar de beneficiárias a fornecedoras da mina, com ativo próprio, contrato e receita recorrente.
  • Uma usina solar de 8,5 MW, 100% indígena, mostra que o modelo pode começar pequeno e cumprir ao mesmo tempo metas de descarbonização e de licença social.
  • Ativos de infraestrutura controlados pela comunidade podem sobreviver ao fechamento da mina e atender outros clientes.

Radar de Competências

  • Estruturação de parcerias com comunidades★★★★★
  • Contratos de suprimento de energia★★★★★
  • Gestão de licença social para operar★★★★★
  • Planejamento de legado pós-fechamento★★★★★

Competências Desenvolvidas

  • Relacionamento com comunidades
  • Desenvolvimento de fornecedores locais
  • Descarbonização de operações
↑

Tendência de alta

a busca das mineradoras por energia renovável e por relações comunitárias mais estáveis favorece modelos em que comunidades indígenas e locais são donas de ativos de infraestrutura ligados à mina.

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Para aprofundar este tema

Vale buscar formação em:

  • Gestão socioambiental
  • Relações comunitárias e licença social
  • Energias renováveis
  • Gestão de suprimentos
Fontes: