Uma britagem sem moagem cortou 20% da energia no processamento de cobre e ouro
Pesquisadores da Universidade de Adelaide testaram a tecnologia GRolls, que usa compressão, tensão e cisalhamento para triturar minério de cobre-ouro pórfiro sem moinho — e quase reduziu à metade o custo de comminuição.
- A tecnologia de britagem GRolls, da sul-australiana Gyratory Roller Solutions, elimina a etapa convencional de moagem combinando compressão, tensão e cisalhamento.
- Testes liderados pela Universidade de Adelaide em minério de cobre-ouro pórfiro e magnetita mostraram 20% menos consumo de energia e quase metade do custo de comminuição.
- Britagem e moagem já respondem por mais de 1% do consumo global de energia e até 80% da demanda elétrica de uma planta de mina — é o maior alvo isolado de economia energética do fluxograma de processo.
A GRolls (Gyratory Roller Solutions), empresa sul-australiana liderada por Mark Drechsler — também doutorando na Universidade de Adelaide —, desenvolveu uma tecnologia de britagem que usa compressão pulsada, tensão e cisalhamento para reduzir o tamanho de partículas de minério sem depender da etapa convencional de moagem com meio moedor (bolas ou barras). Pesquisadores do Future Industries Institute da Universidade de Adelaide testaram a tecnologia em laboratório com três minérios representativos — um cobre-ouro pórfiro e dois magnetitas —, publicando os resultados na revista científica Powder Technology.
O resultado mensurado foi uma redução de 20% no consumo de energia frente à moagem convencional ao processar minério de cobre-ouro pórfiro, com o custo total de comminuição caindo a quase metade, e produtos de descarga com granulometria controlada e estreita — entre 75 e 425 micrômetros — tanto em condição seca quanto úmida. Comminuição (britagem e moagem juntas) já responde por mais de 1% de todo o consumo de energia elétrica do planeta e até 80% da demanda energética de uma planta de mineração — o que torna qualquer ganho percentual nessa etapa desproporcionalmente maior que uma economia equivalente em outras partes do processo. A empresa persegue agora a comercialização, apoiada por um aporte inicial de AU$ 300 mil do governo da Austrália do Sul (Seed-Start).
Comminuição é, historicamente, a etapa mais intensiva em energia — e portanto em custo e em carbono — do processamento mineral, mas recebe muito menos atenção pública do que tecnologias de lavra, como caminhões autônomos ou triagem por sensor. Uma tecnologia ainda pré-comercial, mas já validada por dados publicados e revisados por pares, é um sinal mais forte que um simples anúncio de imprensa — e vale acompanhar justamente porque mira o maior item de energia isolado dentro de uma planta de processamento.
O que aprendemos?
- Britagem e moagem consomem mais de 1% da energia elétrica mundial e até 80% da energia de uma planta de mina — é ali, não só na lavra, que está o maior potencial isolado de economia energética.
- Reduzir o tamanho de partícula sem meio moedor (bolas, barras) é uma mudança de princípio físico na comminuição, não apenas uma melhoria incremental de equipamento.
- Tecnologia validada em dados publicados e revisados por pares, mesmo em estágio pré-comercial, é um sinal mais confiável de maturidade do que um anúncio de imprensa sem estudo por trás.
Radar de Competências
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Competências Desenvolvidas
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Tendência de alta
A pressão por redução de emissões e de custo energético em plantas de processamento mineral deve acelerar testes-piloto de tecnologias de comminuição de baixa energia como essa, à medida que mineradoras buscam metas de descarbonização mensuráveis.
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